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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Granbery para sempre


Gigante Branco, em todo tempo acolhe gerações de Granberyenses, com
Rica história e tradição, esta Casa que o nome nos dá e ensina que mais vale o bom nome do que muitas riquezas.
Avante granberyenses, preparem-se, pois a luta gloriosa reclama que saibamos com fé resistir.
Não desanimemos de fazer o bem, mostraremos o nosso valor.
Bem semeemos as virtudes e saberemos com perfeição a verdade e a justiça exaltar!
Espírito granberyense, melodia permanente de esperança que acompanha,
Reparte e compartilha solidariedade e companheirismo na caminhada da vida.
Yes, temos em Mister Moore, o exemplo inesquecível de vida e Educador!

Almir Maia, 4 de agosto de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A propósito de reportagem da revista Isto É

O granberyense Orli Vargas de Souza, referindo-se a reportagem publicada há cerca de 15 dias, enviou interessante depoimento, que transcrevemos para vocês.

Caros Amigos,
A reportagem da revista Isto É, me fez relembrar o tempo de Juiz de Fora, MG. Tempo de Juiz de Fora, tempos de Granbery.
Testemunha ocular dos fatos iniciais da chamada revolução. Estava eu na rua Halfeld, na frente da Galeria Central, lá pelas 21:00 horas, do dia 31/03/1964 (paquerando as garotas, assim como fazia o João Guimarães) quando tive a oportunidade de presenciar um grupo de aproximadamente trinta ou quarenta pessoas que irrompeu pela galeria e subiu a rua Halfeld cantando o hino nacional meio desafinado. Fiquei sem saber o que estava acontecendo. Perguntei a várias pessoas, mas ninguém sabia ao certo do que se tratava. Só mais tarde pelos noticiários das rádios e jornais, fiquei sabendo que se tratava de um movimento revolucionário, de triste memória, como todo e qualquer regime de força.
No dia seguinte, 01/04/1964, no Granbery todos os alunos estavam gritando: “é Jango, é Jango, é Jango Goulart”.
Eu e Roberto Ferreira da Silva fomos uns dos primeiros a sofrer o constrangimento do regime militar. Estávamos na sacada do segundo andar do dormitório do Granbery, onde morávamos, cantando o refrão, se não me engano lá pelas 14:00 horas, quando dois senhores de branco iam subindo à rua Batista de Oliveira e pararam no portão principal, olharam para cima, acenaram para nós e pediram que descêssemos. Ainda no portão principal o Roberto perguntou do que se tratava. Um deles apontou para mim e disse: “qual o seu nome?”. Eu respondi: ”Orli Vargas Sousa”; o outro fez a mesma pergunta ao Roberto, que respondeu: “Roberto Ferreira da Silva”. Os dois agradeceram e foram embora.
NO DIA SEGUINTE, LOGO CEDO, JÁ CONVOCADOS PELO DIRETOR, DR. AGENOR PEREIRA DE ANDRADE, FOMOS AO GABINETE PARA DARMOS EXPLICAÇÕES. A SEGUIR, NA ASSEMBLÉIA DOS ALUNOS, OUTRO SERMÃO.

Só mais um fato para o texto não ficar demasiado longo. Seguiram-se os anos e continuava o embate ideológico. Na minha turma do Granbery havia um colega bastante revoltado com o sistema e confessadamente de esquerda. Nós dialogávamos com freqüência. Eu sempre fui avesso a qualquer ideologia e aos regimes de força, fossem eles de esquerda, direita, centro ou com qualquer outra conotação, como os que são trasvestidos de democracia, mas perpetuam-se no poder, como aconteceu com o PRI no México. Creio mesmo que a sociedade atual deve encontrar novas formas de se auto-governar, pois o Estado-Nação, fundado nos pressupostos de Montesquieu, Rousseau, entre outros, não responde mais aos anseios do homem moderno.
Mas, voltando ao meu colega de turma. Estávamos conversando sobre o regime e ele enfurecido dizia: “ MAS ORLI, ELES (os militares) TORTURA, MATAM, SEQUESTRAM E IMPEDEM A LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO.”. Ao que respondi: “VOCÊ TEM RAZÃO, MAS ME DIGA UMA COISA: NAS DITADURAS SOLICIALISTAS OU DE ESQUERDA DE CUBA E NA UNIÃO SOVIÉTICA, NÃO ACONTECE O MESMO? QUAL A DIFERENÇA?”, ao que ele, infelizmente, me respondeu: “LÁ É FEITO EM NOME DO POVO” e eu argumentei, meio tripudiando: “QUER DIZER QUE LÁ A TORTURA NÃO DOI E AQUI DOI?...”.
Encerramos a conversa. Ele, apesar da inteligência, saiu pensativo e eu não menos reflexivo.
Recebam todos o meu fraterno abraço.


Orli Vargas Sousa

Se alguém não leu e quiser ver a reportagem, pode acessar:
http://www.istoe.com.br/reportagens/141566_OS+EVANGELICOS+E+A+DITADURA+MILITAR?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

No dia da árvore, 21 de setembro de 2010

Minha querida EROVRA,

Deus te guarde.
Sonhei contigo, sonho tenebroso, daqueles que fazem a gente acordar molhado, suando frio e indagando por que razão existimos. Na verdade não sonhei, “pesadelei” feio, até porque não se pode “pesadelar” bonito.
Sonhei que fui ao Granbery te visitar e me informaram que fostes para o Oriente Médio, onde desfilavas altaneira ao lado de milenares oliveiras e que esqueceste de tuas origens granberyenses, para nós tão caras, até pelos momentos que vivemos à tua sombra no internato.
Indaguei-te em pesadelo:
- Por que nos deixaste e por que nos abandonaste neste momento tão difícil, em que sofremos perdas doídas?
- Não sabes, por acaso, que ultimamente andamos perdendo tantos companheiros: Nilo, Paulo Henriques, Papinha, Agenor, Gotardelo, Odilon, Moacir, Rosinha e muitos mais?
Considero egoísmo de tua parte nos abandonar deste jeito e nos deixar tão sozinhos diante de tão fortes vendavais que sofremos e em que nossas tradições e sonhos parecem fugir.
Sabes o quanto te amamos e que és nossa viva gamação. Cuidamos de ti, sofremos com as ameaças pelas quais passaste e ao teu lado nos postamos firmemente. Por que nos abandonaste? Estamos, eu e muitos granberyenses do internato, tristes e poucos esperançosos de ver-te novamente plantada no coração de nosso Gigante Branco.
Em pesadelo, ainda te falei: reconheço que já estou te fatigando em demasia, mas até agora me ative somente às perdas, que vou chamar sentimentais, aquelas que brotam da alma, vazam o coração e nos ferem de modo pessoal.
Precisamos de ti também para nos ajudar a entender e conversar com os tecnocratas, paladinos da eficácia e da competência capitalistas, que priorizam o ter, o possuir e desprezam o ser e o princípio da doação e uma melhor visão planetária.
Sonhando, insisti contigo.
- Volta logo, ocupa teu espaço. Com tua suave sombra podes nos passar a confortadora ilusão de que, tanto nosso Granbery quanto outras escolas Metodistas, podem reservar espaço para a fraternidade, para o aconchego e para a criação de uma condição de carinho, de amor, em que, além dos conteúdos e da erudição, nosso convívio se faça com gente que sonha, sofre e luta por um mundo melhor.
- Volta! És uma espécie em extinção e sem árvores generosas como tu, apesar do aquecimento solar, nosso planeta se torna gélido.
Acordei e sentir-te muito perto e continuei pensando em ti.
Tive vontade de pedir-te desculpas pelo involuntário pesadelo, mas tu não estavas ali para me ouvir e pus-me a cismar.
Neste tempo de obsessão pelo produtivismo acadêmico e também com esta loucura atrás de custo-benefício, da busca do que chamam eficácia e competência sem se definir o que é isso, da adoção do princípio de troca – “da lá, toma cá” - gente como tu precisa ser cuidadosamente preservada em nossas instituições.
Guardo em minha memória que nosso “Gigante Branco” não era, e creio que ainda não é, muito afeito a essas teorias loucas e que vivia o sistema de doação que historicamente marcou sua trajetória para o futuro.
Despeço-me, minha cara Erovra, mas preciso ser muito enfático e dizer:
- Tu és símbolo confortador, testemunho de um tempo em que a preocupação eram as manifestações de amor, de carinho e de solidariedade.
Não quero pensar em ti eficaz e competente, mas quero ver-te amante e sentir tua sombra a nos proteger e tuas folhas caindo sobre nossas cabeças como se fossem pétalas de rosas.
Podes compreender agora a dor de meu pesadelo?
Nós te amamos muito e egoisticamente te queremos só para nós. Qualquer agressão, se algum dia vieres a sofrer, será violência cometida contra a Família Granberyense de todos os tempos.
Que ninguém ouse te fazer sofrer.


Meu abraço granberyense.

Homenagem de Elias Boaventura à árvore do Granbery.